top of page

Gratulação

       Hoje, ao despertar, e ao olhar em torno de mim, logo percebo algo novo, um milagre real: estou atento ao mundo em volta, ou seja, estou consciente. Não quero, pois, me apressurar para nada. Sinto que este momento é tão raro! Sinto-me dentro de um evento extraordinário, e vejo a vida latejar em tudo, no vento lá fora, no cantar dos pássaros, na luz do dia, nos móveis deste cômodo... É como se a minha mente se renovasse a cada minuto, e como se cada hora fosse preciosíssima.

 

O meu corpo enfrentou a si mesmo e batalhou todas as guerras que podia... Mas, agora, ele calmamente se expressa... um sentimento tranquilo e sereno permanece em meu ser; há paz em tudo. 

Reconheço a grandiosidade do existir, sobretudo naquilo que desconheço (eu desconheço tudo!), mas aceito esse desconhecer como parte de mim, porque sei que isso, de algum modo, é fundamental para o equilíbrio deste singelo e eterno instante.

 

Meus pensamentos são como brumas suaves que me soerguem diante das flores que vejo ao longo do jardim, e, além delas, as gramas verdes apontando para o sol parcialmente encoberto pelas nuvens; é como se nada detivesse a sintonia entre ambos e eu. E, de fato, nada detém tal harmonia!

 

Como são majestosos os segundos, grandiosos, em verdade!!! É comovente estar no aqui e no agora, pois é isto tudo o que tenho. Contudo eu vejo, também, curiosamente, que tudo está nisto, tudo mesmo, pois este minúsculo espaço de tempo é constituído pela soma de todos os tempos, pelo cômputo de todas as grandes, médias e pequenas coisas do passado e do futuro, pois tudo são também energias exuberantes que oscilam infinitesimalmente entre si, são intervalos  que se conectam e criam a existência; memórias, sonhos e realidade.

 

O Universo é isso (além de outras coisas muitas coisas que não sei), numa mesma ocasião todas as coisas, boas, ruins, grandes, pequenas, fúteis, importantes, feias, belas, lisas, crespas, fortes, fracas, cheias, vazias... Simplesmente, todos os eventos se somam no agora. Cada coisa é proporcionada por outra, como uma imensa cadeia de eventos perfeitamente programados por si mesmos.

 

As manifestações orgânicas são surgimentos esporádicos, como as flores que murcham, secam e renascem incontáveis vezes, como os ciclos das sementes de girassóis que se remontam periodicamente; essas coisas são como centelhas de uma mesma chama ecumênica a irromper umbrais perpétuos.  Isso é magia!

 

Eu, neste momento, me sinto presente em todos os momentos, em todas as eras, em todas as partes do que chamo de Todo, mesmo compreendendo uma pequena fração de mim mesmo nessa vastidão de tudo o que sou enquanto universo. É isso, sinto o meu ser se elevar diante dos degraus temporais e o meu espírito resplandecer com o calor da benignidade, pois sou também como o fogo que consome, sou como o sol eterno e suas rotações elípticas que norteiam o cosmos e transcendem a matéria e a não-matéria. A vitalidade e a mortandade e toda vibração presente nos corpos físicos, tangíveis e intangíveis, se faz em mim, agora, pois tudo é física, e tudo está situado nas regiões esféricas luminescentes de minha alma eterna, como alumbramentos maravilhosos de fractais oníricos intermitentes, não obstante o obscurantismo que me impede de contemplar todas as coisas existentes.

 

As comportas da vida são ângulos sensíveis, espelhos e sombras, pois todo o universo é geometria, e os sentimentos formas tridimensionais de energia eletromagnética, bem como toda a vida, natureza... Tudo é movimento e paralisia, ao mesmo tempo! O que é duro realmente e o que é mole? O que é claro ou escuro, essencialmente? Não são as forças relativas? Não é a dor relativa? Não são os olhos relativos à perspectiva? Não é a alma relativa às almas? Não é Deus relativo à fé? Não são as guerras relativas aos conflitos, e os conflitos relativos aos interesses, e os interesses relativos à razão, e a razão relativa à história, e a história relativa aos fatos, e os fatos relativos às ações, e as ações relativas aos pensamentos, e os pensamentos relativos às memórias. Não são as memórias complexas construções culturais na mente de um ser?

Tão logo o meu ser se faz parte do real e do etéreo, principalmente por causa das coisas percebidas por minha diminuta e, ao mesmo tempo, gigantesca organicidade(sapiência), assim me torno pura complexidade; porquanto não há, essencialmente, diferença entre nada que existe, tudo é uma só corporação unificada e harmônica refletida inúmeras vezes.              

Portanto, devolver-te-ei, ó céus, o meu total ser, e enviar-te-ei, ó luzes inalcançáveis, as minhas primícias, todos os múltiplos de  minha entidade quântica. Doarei às densas "trevosidades" o meu espírito completamente, porque o meu ser é ambiguidade e dicotomia, ao mesmo tempo que não, pois a dualidade é aparente e só os cegos de espírito não percebem que o preto e o branco são a mesma cor! Servirei ao Todo e dá-lo-ei a soma de minha substância, para todo o sempre, pois os meus olhos veem a perfeição do Eterno e contemplam a Geometria Sagrada presente em tudo o que há. Seguirei a favor e contra os ventos do leste, com o fluxo das nuvens homogêneas e alcançarei as mais altas e baixas sonâncias, que são as vozes do divino manifestas em todo espectro e em todas as dimensões! Serei como as águas invisíveis que se cruzam entre si, formando as luzes das estrelas mais elevadas, desde os píncaros do altíssimo! E descerei até os mais tenros e obscuros terrenos da morte, do horror e da dor, para encontrar o meu ser em sua totalidade. Ó, majestosos códigos!!! Ó, excelso!!! Ó, elipse!!! Recebei-me por gratulação eterna, em cada instante, como este singelo agora! - Tiberius   

 

 

 

 

Contato

 

                                                                                                              

                                                                              São Paulo, 13/11/2020

bottom of page